sábado, 10 de agosto de 2013

Sensibilização

efdeportes.com 
Danças Circulares: um caminho sensibilizador para
os educadores da Rede Pública Municipal de Avaré
 
*Fira - Faculdades Integradas Regionais de
Avaré - Faculdade de Educação Física.
**Livre Docente do Dep. de Educação Física. Instituto de
Biociências - UNESP Rio Claro. LEL-Laboratório de
Estudos do Lazer DEF /IB/UNESP - Rio Claro.
 

Profa. Esp. Norma Ornelas Montebugnoli Catib* 
normacatib@terra.com.br 
Profa. Dra. Gisele Maria Schwartz** 
schwartz@rc.unesp.br
(Brasil)
 


 

Resumo
     O presente relato aborda a experiência vivenciada por educadores, durante o Curso de Capacitação promovido pela Secretaria Municipal da Educação de Avaré. O tema desenvolvido foi: "Danças Circulares", com carga horária de doze horas, oferecido a cento e sessenta educadores. Estas danças são milenares, populares e tradicionais, dançadas por vários povos do mundo. Foram resgatas das danças folclóricas e transformadas em práticas corporais mais orgânicas, por meio das quais se podem expressar sentimentos. O grande poder das Danças de Roda é transmitido através das mãos dadas, fazendo com que a energia flua entre todos os participantes, levando-os a interagirem consigo mesmos, com o outro e com o meio. Os dados aqui presentes foram baseados em observação e em relatos escritos dos participantes. Com base nestes instrumentos pode-se perceber que, por intermédio das Danças Circulares, os participantes puderam expressar, de forma mais natural, sua essência, o amor e a comunhão entre as pessoas. A musicalidade e o ritmo de cada dança, com sua devida historicidade, foram vivenciados com alegria, beleza, leveza e plenitude, propiciando a cada ser presente o autoconhecimento, auto-respeito e, até mesmo, auto-cura diante da própria vida. Sugere-se que novos eventos sejam propiciados aos educadores, para que possam ser multiplicadores destes recursos no âmbito escolar.
    Unitermos: Danças Circulares. Educadores. Emoção.
 
 
http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 12 - N° 109 - Junio de 2007

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Danças Circulares
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Introdução
    As Danças Circulares iniciaram por volta do século XX, na Escócia, através dos estudos do coreógrafo e bailarino alemão Bernhard Wosien (1996). Em seus ensaios inspirados nas danças folclóricas populares, procurou distribuir seus conhecimentos para o mundo todo, por intermédio deste método de dança, que representa sentimentos de união e comunhão entre as pessoas.
    De acordo com os estudos do pai, Wosien (1996) ampliou seu aprendizado, analisando as danças circulares dentro da religiosidade, uma vez que adquiriu no grupo de estudos sobre sufismo e meditação, as danças do rodopio de origem Eslava e Turca.
    As danças, no geral, têm um caráter sensibilizador, motivador de emoções, dispondo de um forte aspecto ao conseguir unir em um único momento, importantes sentimentos que fluirão nas pessoas que delas usufruírem.
    Segundo Francês e Jefferies (2004), a energia gerada ao dançar de mãos dadas no círculo, é muito forte. Os participantes podem ficar estimulados, sendo que a energia pode provocar lágrimas, fazendo, inclusive, com que emoções que estavam escondidas venham a aflorar. Ela pode dar forças e coragem para que novos caminhos nunca antes divisados sejam experimentados na vida.
    Com estas características interessantes e peculiares, torna-se instigante a reflexão sobre a forma com que elas podem ser inseridas no contexto educacional, na prática com a educação corporal, o que motivou o interesse deste estudo.

Revisão bibliográfica
Danças Circulares
    As Danças Circulares são danças de diversas regiões do mundo, podendo ser celebrativas, energizantes, meditativas e introspectivas.
    Segundo Wosien (1996):
A dança de roda, como é transmitida até hoje no folclore, é uma riqueza cultural das mais antigas do ocidente. Até os primeiros séculos da era cristã estava inserida nas praticas religiosas e na vida em comunidade; à margem da história cultural e espiritual, ela se manteve viva até os tempos modernos. Esta tradição, em sua grande multiplicidade, permite, ainda hoje, uma oferta inesgotável para os esforços na vida religiosa e na prática pedagógica e terapêutica, de encontrar as bases de uma comunhão plena de sentido. (WOSIEN 1996, p.8)
    De acordo com Laban (1985) apud Pregnolatto (2004), "A dança é o exercício da vida vista e praticada e nos conecta com a fonte de existência".
    Segundo Francês e Jefferies (2004), "dançar de mãos dadas na roda é alcançar as profundezas do ser onde está o saber infinito, a sabedoria sem limites".
    Para Wosien (2000) "a dança é uma mensagem poética do mundo divino". Desse modo, o autor, teve seu primeiro encontro com a dança ainda na infância, o incentivo vinha do seu pai, que adorava dançar e cantar, sempre convidando os empregados poloneses para participarem das noites festivas que promoviam. Dançavam a Krakoviak Masúricas (masurka), dança alegre, executada em pares na sua terra natal.
    O auge da carreira de como bailarino e coreógrafo foi entre os anos de 1948 a 1958, passando a se interessa pelas danças populares a partir de 1949, onde a arte popular representava para ele o amor e um enorme prazer em dançar, pois as danças dos povos traziam sua riqueza em mitos e em poesia. Assim sendo, os princípios das Danças Circulares foram resgatadas, quando Bernhard Wosien passou a freqüentar grupos de danças folclóricas, percebendo tudo aquilo que procurava, ou seja, "uma prática corporal mais orgânica para expressar seus sentimentos" (WOSIEN 2000, p.24).
    As Danças encontradas por Wosien foram de natureza alegre e vibrante. Foram denominadas "solares". Mas ele coreografou, também, as Danças introspectivas, chamadas "lunares", pois constatou que elas haviam desaparecidas (RAMOS, 2002).
    A grande repercussão das Danças Circulares foi em 1976, quando Wosien levou, a pedido de Peter Caddy, uns dos fundadores da Comunidade Holística de Findhorn Fondation, localizada no norte da Escócia, um maravilhoso repertório das danças dos povos, nos quais se tornaram internacionalmente um exemplo de meditação pela dança, espalhando-se pela Europa e por todo o Ocidente.
    De acordo com Wosien (2000, p.25), "a dança de roda possibilita uma comunicação sem palavras e mais amorosa entre as pessoas" e "a dança, como a manifestação artística mais antiga do homem, é um caminho esotérico", onde o trabalho do bailarino acontece no seu instrumento, ou seja, no seu próprio corpo. Trata-se do trabalho a partir da base, a partir do interior da imagem perfeita de Deus. Segundo a frase esotérica: "Assim em baixo como em cima", o trabalho está nos fundamentos de nossa auto-compreensão, no ser humano como imagem de Deus. No sentido da Eucaristia, Cristo consagrou o corpo, após ter partido o pão, falando: "este é o meu corpo". Para Cristo o corpo era o templo, que ele dizia que seria destruído e reconstruído três dias depois.
    Segundo Garaudy (1980) "a dança é um modo total de viver o mundo: é, a um só tempo, conhecimento, arte e religião".
    Sendo assim, as Danças, na sua expressividade, trazem a arte de conseguir se comunicar corporalmente com as pessoas, deixando, assim, fluir um encontro de sentimentos e emoções consigo próprio e, consequentemente, com os outros.
    Para Schwartz (1999, p. 170), "a arte, além de proporcionar o resgate dos componentes do auto-conceito, faz com que o indivíduo tenha um encontro consigo próprio". A arte, para esta autora, se apresenta como uma maneira de canalizar os sentimentos e emoções descontroladas, favorecendo uma melhora nas comunicações não-verbal e corporal.
    Fato este também evidenciado por Wosien (2000, P.26) onde "na dança, como na música, o ser humano consegue exprimir todos os altos e baixos de suas sensações. Na dança sagrada, como oração e conversa sem palavras com Deus, o bailarino encontra o recolhimento". Assim, a dança é simplesmente vida intensificada e, com isto, delimitada contra movimento rítmicos atribuídos às áreas de esporte e ginástica, assim como a todos os "trabalhos".
    A dança se comunica, do ponto onde a respiração, a representação, a imagem e a vivência onírica afloram e se tornam criativas, desprendidas do plano da realidade prosaica e dos grilhões terrestres".
    As Danças Circulares chegaram ao Brasil acerca de dez anos, sendo acolhidas de coração e hoje existem diversas rodas dançantes e muitos focalizadores preocupados em continuar este trabalhando, ampliando e inserindo novas danças deixadas por Wosien como herança de amor e paz para os homens do futuro. 


Figura 1. Al Chat (Israel)
    No campo da educação, bem pouco se tem introduzido destas práticas, conquanto já sejam apreciados seus movimentos, o que motivou o desenvolvimento deste estudo.

Objetivo
    Enfatizou-se como principal objetivo proposto, o oferecimento de subsídios teórico-práticos como agente sensibilizador, a fim de enriquecer e proporcionar aos educadores a oportunidade de vivenciarem e refletirem os inúmeros benefícios trazidos pela Danças Circulares, utilizando assim elementos fundamentais dessa linguagem corporal junto às crianças da Rede Municipal da Educação. 


Figura 2. Ciranda (brasileira)

Metodologia
    Durante o desenvolvimento da capacitação, foram ministradas aulas expositivas e práticas que culminaram em uma análise reflexiva dos professores perante as práticas corporais. 


Figura 3. Momento do desenvolvimento da teoria das Danças Circulares

Resultados
    Os educadores relataram seus sentimentos após vivenciarem as Danças Circulares, tornando-se possível notar a influência desses encontros através dos registros feitos pelos mesmos. Citaremos aqui apenas alguns deles:
  • "Perceber a relação entre as pessoas, como os olhares, as imagens, enfim a necessidade do companheirismo para a realização das danças".
  • "As Danças Circulares acolhem, as pessoas, proporcionando a oportunidade de estar em contato direto com os colegas, além do ritmo ser caloroso, calmo e reflexivo".
  • "Refletir sobre a vida, sentir o amor, a paz e união, pois as Danças me fazem compreender e sentir alegria de viver e de poder transmitir às pessoas e às crianças. Que o Espírito de Vida esteja sempre presente em nosso ser".
  • "As músicas transmitem paz e harmonia e os passos fazem com que as pessoas se toquem e transmitam energia, carinho e alegria". "As diferenças se tornam minúsculas diante de tanta paz vinda da sabedoria".
  • "Poder viajar por várias culturas através da danças, é muito bom!".
  • "As Danças trouxeram a sensação de paz e de interação, sendo muito gostoso sentir toda essa energia. Espero que as crianças também possam compartilhar desses sentimentos".
  • "Dançar em círculo trará às crianças atenção e concentração".
  • "Sinto nessas Danças, momentos que liberam todos os sentimentos".
  • "Foram momentos únicos, na qual o professor consegue estar em contato com o belo e o mágico, demonstrando sensibilidade e harmonia".
  • "As Danças Circulares tem um jeito especial de sentir, envolver a alma e o espírito, nos colocando assim em sintonia com o Criador".



Figura 4. Kós (grega)

Conclusão
    Durante a capacitação, mais precisamente no último dia do encontro entre os educadores, percebeu-se maior entrosamento e harmonia entre os componentes do grupo, os quais também se expressaram verbalmente sobre sua felicidade ao conseguirem perceber seu próprio corpo e até mesmo a importância do mesmo.
    O repertório trabalhado durante a capacitação dos educadores, foi introduzido em toda rede Municipal de Ensino na cidade de Avaré. 


Figura 5. Meditação ao Sol

Referências
  • FRANCÊS, L. & JEFFERIES, R. B. Tradução de Helena Heloísa Wanderley Ribeiro. Dança Circular Sagrada e os sete raios. São Paulo: Ed.Triom, 2004.
  • GARAUDY, R. Dançar a Vida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
  • PREGNOLATTO, D. Criandança. Uma Visita a metodologia de Rudolf Laban. Brasília: Ed. LG. E, 2004.
  • RAMOS, R. C. L. Danças circulares sagradas: Uma Proposta de Educação e Cura. São Paulo: Ed. Triom, 2002.
  • SCHWARTZ, G. M. A expressividade na dança: visão do profissional. Rev. Motriz. v. 5, n. 2, Rio Claro, dez. 1999.
  • WOSIEN, B. Dança um Caminho para a Totalidade. São Paulo: Ed. Triom, 2000.
  • WOSIEN, M. G. Danças Sagradas: deuses, mitos e ciclos. São Paulo: Ed. Triom, 2002.

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